Já introduziste o alho-francês?

Mais uma vez o eterno tema da alimentação, pois é um ponto-chave para o relacionamento que temos com as crianças que partilham a nossa vida. Controlo, medo, imposição? OU confiança, apoio, respeito?
É um assunto que, mais uma vez, está a bater à minha porta, com a Svenya com 7 meses, altura de começar a comer… O seguinte cenário tem me acontecido muitas vezes ultimamente: estou num grupo de mulheres, e começam todas a falar dos seus filhos. “Fixe!” penso eu, e aproximo-me, esperançosa de poder debater “A polémica da escolaridade obrigatória como invasão da privacidade por parte do governo” ou outro assunto interessante…:)
MAS.. Elas perguntam-me: “Já introduziste o alho-francês?” !! :(

Bem, para já e como linguista apaixonada, não simpatizo com a palavra “introduzir” quando falamos da alimentação dos nossos filhos. Uso essa palavra mais quando falo em supositórios contra a febre. De facto, a grande preocupação de muita gente é INTRODUZIR alimentos no regime alimentar dos filhos e depois INTRODUZIR esses alimentos pela boca abaixo, sem que o bebé dê muito por isso…

Discordo. Um bebé não é um ser tonto, parvinho e sem vontade. Sabe muito bem quando tem fome, quando está preparado para comer e o quê. Apenas temos de olhar para ele, conectar e seguir o que o bebé nos indica.

No caso da Svenya (e foi assim parecido com os irmãos), ela sempre esteve connosco à mesa, ao meu colo, e imitou os nosso movimentos da boca desde os 3 meses. Aos 5 meses, agarrou na minha colher e enfiou-a na boca,, cheia de sopa ! Adorou ! Estava preparada para engolir, pois desde então “come” connosco e nunca se engasgou. Ela, ao meu colo, pega na comida que está no meu prato e come, experimenta, deita ao chão, suja tudo e desfruta, toda orgulhosa de fazer parte ! (Naturalmente não experimenta hambúrgueres, batatas fritas, salsichas, ketchup ou coisas que tais, mas como temos uma alimentação vegetariana, maioritariamente simples e saudável, ela pode experimentar tudo.) Porém, o verdadeiro alimento, aquele que ela precisa mesmo, continua a ser o leite materno. Como diz o Dr. Carlos González :”Não é aos 6 meses que a criança PRECISA de comida de jeito, mas é a idade em que já TOLERA alguma alimentação, para além do leite materno.

Uma criança que não é desautorizada e manipulada na alimentação, terá gosto em comer, conhecimento do que lhe faz bem e vontade de estar à mesa com a família, num acto de conexão e partilha, que devia ser a refeição.