O Ensino Doméstico e o Unschooling ?

unschooling

O Unschooling é considerado uma vertente do Ensino Doméstico (ED).

O ED é um conceito que abrange uma diversidade imensa de ideias, atos e vivências educacionais, as mais relevantes das quais irei descrever aqui.
O que une todas as crianças em ED é apenas o fato de não frequentarem instituições de ensino. Porém, e dado que a recusa de institucionalizar os filhos advém de uma reflexão profunda dos pais, de decisões corajosas muitas vezes contra a corrente e da tentativa de encontrar soluções individuais para cada criança, o modelo de ED proporciona uma liberdade que se pode adaptar a cada dinâmica familiar.

Apresento aqui algumas das opções mais conhecidas dentro do modelo de Ensino Doméstico:

Ensino Doméstico “normal”

Este é o tipo de ED mais comum. Os pais assumem as responsabilidades de professores, recriando um ambiente de sala de aula em casa. As crianças seguem livros escolares, fazem fichas, por vezes até testes elaborados pelos pais. Têm um horário fixo e um local próprio para as tarefas “escolares”. Esta opção é geralmente tomada porque os pais sentem que a criança evolui mais e aprende melhor num ambiente personalizado em que se respeita o seu próprio ritmo de aprendizagem.

Ensino Doméstico “livre”

Nesta versão de ED, os pais reduzem as exigências académicas, permitindo uma maior flexibilidade na realização das tarefas “escolares”. A criança não tem horários fixos, nem objetivos diários académicos, Pode se seguir livros escolares, elaborar o próprio curriculo ou até aproveitar os interesses da criança para realizar projetos pedagógicos. Não existe o ambiente sala de aula: as crianças “estudam” no quarto, no sofá, numa viagem ou no jardim. Porém, os pais estão atentos ao desenvolvimento académico e manipulam situações para proporcionar aprendizagem de matérias curriculares.

Unschooling

Esta abordagem fundamenta-se no respeito total pela aprendizagem individual. A criança é deixada completamente livre para aprender o que quer, como quer e onde quer.
Não é, no entanto, uma atitude de negligência, pois implica um profundo envolvimento, conexão e confiança na criança e nas suas capacidades, tal como a presença ativa de um adulto para responder às inúmeras questões que surgem diariamente e para proporcionar meios para a própria criança encontrar as informações que procura. Não segue currículo, nem horários. Não utiliza avaliação, coerção ou pressão. Apoia a criança incondicionalmente a descobrir o seu próprio caminho e desenvolver o seu potencial.

Radical Unschooling

Esta abordagem do unschooling é denominada por radical pelo fato de ir à raiz da “in-educação”: não se limita à questão das matérias académicas, mas é uma atitude de vida que honra e respeita a individualidade e o único e exclusivo caminho de cada ser humano. É uma filosofia de vida intimamente ligada à Parentalidade Consciente e à ideia de que não é ético controlar e manipular o comportamento ou moldar deliberadamente a personalidade de qualquer ser humano. Deste modo, o radical unschooling abrange todas as áreas da vida e não apenas o saber académico, estendendo-se a atitude de “empoderamento” e libertação a todas as interações humanas e não apenas ao relacionamento com crianças. Os pais funcionam como mediadores e facilitadores na relação da criança com o mundo, proporcionando as mais variadas experiências, sem, no entanto, aplicar métodos pedagógicos. O Foco está no respeito e apoio incondicional, para que as crianças mantenham a sua autoestima, curiosidade e alegria de viver, conhecendo-se a si próprias, as suas limitações, os seus interesses e os seus talentos e desenvolvendo estratégias únicas de pesquisar informação e aprofundar conhecimentos.